sexta-feira, 13 de março de 2009

Subir em árvores

O cenário é uma mesa do Mc Donalds. Almoçávamos após mais uma manhã de aula. A última manhã de aulas por sinal, trata-se da tão amada sexta-feira. Eu e mais cinco paulistanos conversávamos um papo muito agradável. Em certo momento levanto a questão: como é ser criança em uma cidade como São Paulo?

Eles disseram-me que a infância deles pelo menos, tinha sido muito agradável. Faziam coisas empolgantes como visitar o parque da Mônica aos fins de semana, interfonar para os coleguinhas do prédio para brincarem no playground, ir ao parque Ibirapuera, ver muita televisão entre outras coisas.
Fiz apenas mais uma pergunta: vocês já subiram em uma árvore? Apenas uma das pessoas presentes respondeu positivamente. "Como assim? Nunca subiram em uma árvore?". Não, e não lhes faziam falta a empreitada ecológica(?).

Isso me fez relembrar da minha infância. De como eu corria livre pelas ruas do interior, de como percorria a cidade toda com minha bicicleta, de como era amigo de todos da rua e de como subia em árvores.

Você chega e se depara com aquele vegetal que varia de tamanho mas, que quase sempre é pelo menos três vezes maior que a sua pequena estatura. Que desafio gigante! Você começa a escalada. A cada galho uma nova emoção e uma etapa superada. A meta? Chegar ao topo. As vezes o pé dá uma escorregada, que medo! Porém depois de muito empenho lá está você, no topo da árvore.

Então você contempla aquela sensação. Que sensação! O Everest é para os fracos. Lá em cima a visão é privilegiada. A brisa refrescante e a sombra gostosa é o maior troféu do então vencedor da escalada.

E antes de descer você não se dá conta que, anos depois quando sua única preocupação não será saber qual será sua próxima refeição e a única escolha que você tem a fazer não será entre o esconde-esconde e o pega-pega, o único lugar que você gostaría de estar era lá no alto da árvore. Onde você está protegido e onde você é o campeão.




domingo, 8 de março de 2009

E a luta continua...

Nos últimos dias minha vida tem transcorrido noramalmente. Do mesmo jeito que já narrei alguns posts atrás. Para não correr o risco de cair na repetição prefiro me calar sobre minha rotina que assim como quase todas as rotinas tem sido bastante rotineira.
E de clichê por aqui já basta o título deste post.

Todavia, gostaría de aproveitar que este espaço é meu para colocar aqui um poema do Carlos Drummond que eu adoro! Trata-se da famosa "Receita de Ano Novo".
Tá certo que 2009 não é mais um bebê. Nem estamos mais em seu começo. Para muitos não, mas para a mioria a vida já voltou ao normal. Porém o texto a seguir é totalmente atemporal assim com a obraq dos poetas.

Fique então, agora sim, com um texto de qualidade. Beijo a todos.

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

O Dono da Cabeça Gorda

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João Vitor Mazini
Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
18 anos. Cursando Jornalismo. Xonado em Jesus. E algumas coisitas mais!
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